quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A carta.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

-Que bom que te encontrei aqui, logo assim cedinho...
-É! eu imaginei que você estaria por aqui...
-É que vim passar no mercado, e ficar lá em casa tá uma merda sabe? tenho estado mal, queria ficar um pouco só, digo, um pouco sozinha de gente que eu conheço..
-Ah! Eu vim pra te entregar essa carta...

"Se houvessem outras vidas, outros eus e outros tus,
E a mesma ausência que nos gruda irremediavelmente,
Se eu pudesse clamar à beira de qualquer
Pena de morte por mais uma vida,
Não por ser inocente, mas
Pra te inflar mais um riso que fosse...


Se aos teus passos eu pudesse me forrar,
E te musicar de flor, enquanto fosse outono...
Pra noutras primaveras te olhar incansavelmente,
Mergulhar no frio da noite pra ser teu calor,
teu sol que nunca morre...

Sem saber quem sou, nem ter nome,
Meu instinto é quem te ama,
Meu sangue quem te vive.


Feliz dia dos namorados"

-Não é dia dos namorados, hoje fazemos três anos.


(Thaysa Cordeiro)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

E me dá uma inveja dessa gente,
Que vai em frente
Sem ter nem onde chegar...

(Thaysa Cordeiro)

sábado, 21 de novembro de 2009

Os meios justificam o fim.

sábado, 21 de novembro de 2009
De tudo que se perde, o que eu tenho
medo é da morte, só a morte...
A morte de todos os segundos, a do fim do dia,
As mortes no fim, e as nos durantes...
A morte que devora a vida, a morte dona da vida,
A morte de quem quer morrer,
Sem saber se a morte é fim ou meio,
Que mistério há?
Nem viver é tão óbvio...

A morte de quem prendeu-se em casa, enquanto o mundo, a vida, acontece...
A morte de quem não leva tapa na cara, nem sol, nem lágrima, nem cuspe,
A morte de quem assume o tédio...

Quem tá perdido, esperando as horas passar,
Esperando o mundo acontecer, esperando alguém que faça gozar,
Esperando, esperando, esperando....
Isso tudo que nunca voltará.

(Thaysa Cordeiro)

sábado, 14 de novembro de 2009

Em teus braços

sábado, 14 de novembro de 2009
Quando em teus braços me fecho
O mundo caótico e voraz some...
Na voz simples do teu coração,
Contra meu peito, contra o mundo,
Encontro nosso bater de asas
Sob a morna alvorada de um universo infinito...

Não há nada que me dê mais doçura,
Nem a morte roubará todos meus sentidos,
Como você sabe fazer exatamente...

(Thaysa Cordeiro)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009
"Moon spilling in...
And I wake up alone."

"A lua está indo embora...
E eu acordo sozinha."

Miss Winehouse.

Em vão.

Em vão: meus sorrisos, meu batom já gasto, meus errantes pensamentos otimistas.
Em vão a tentativa de ser, pra você, diferente de todas.
Inútil minhas horas na cozinha, em frente ao espelho ou sobre os livros
Dedicação? para quem? sou tão igual a tudo que se vê...

Sempre tentando ser especial, e cada vez mais, sendo igual a todas as outras.

(Thaysa Cordeiro)

domingo, 8 de novembro de 2009

Ser feliz.

domingo, 8 de novembro de 2009
-Deve ser legal aquelas surpresinhas de gente casada, um noite lingerie, outra o espelho com um recado escrito de batom vermelho... é pra quando o casamento já estiver monótono né?
-Mas se era amor não pode ficar monótono... será que existe amor mesmo, desse que passa na novela?
-Sei lá...! acho que nem é botando dúvida no amor, viver sempre às vezes cansa, era bom que a gente pudesse morrer de vez enquando, dava um susto no mundo e depois voltava...
-Porque isso agora?
-A vida. A vida é tão incerta, e a gente vive esperando qualquer cartomante, horóscopo ou cachorro na rua dar alguma certeza pra gente, que a gente vai conseguir um emprego bom, que o ano vai acabar bem, que o vizinho vai se mudar, que a vida vai mudar, que tudo vai ser tão bom... e depois vê tudo tão assim, sem fim, se acumulando... num dia dívida, noutro salário.
-Ah isso é! mas pra que salário se a gente não pode gastar né?
-(Risos)
-Não conheço nenhum vida boa feliz de fato sabia? Muito pelo contrário, conheço muita gente sofrida que se diz feliz... parece que ser feliz requer ensaio...
-Lembra as máscaras do teatro? uma chorando outra rindo? ser feliz deve ser qualquer coisa entre rir e chorar.

(Thaysa Cordeiro)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Just two things:

sexta-feira, 30 de outubro de 2009
1. Cultura, cultura! - Está certo! Que ninguém te vença em ambicioná-la e possuí-la.
- Mas a cultura é meio, e não fim.
(Josemaria Escrivá)

2. Que nunca nos falte sonho e hipocrisia:
Sonhar para saber querer,
Hipocrisia para acreditar em nós mesmos.
(Thaysa Cordeiro)



segunda-feira, 26 de outubro de 2009

segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Entre a cidade e as serras...
uma brisa que atende por teu nome
senti soprar esses doces ventos...
numa linda manhã de julho
para o princípio(para o nosso) resolvi chamar de sim!
para tudo o que restou vou chamar de ETERNO!

(Júlio Pimentel)

sábado, 17 de outubro de 2009

Teu meu tempo.

sábado, 17 de outubro de 2009
Não precisa me falar nada,
Prefiro muito mais teu cheiro adocicando minha pele
Em silêncio, naquela coisa intrínseca, subentendida.
Hoje talvez eu te ligue pra dizer que chove demais e o frio
me mata, a saudade me mata, a chuva me isola,
e fico solitária imaginando que talvez você nem esteja vendo
que chove também, e nem sabe que cada pingo leva um pedaço meu.

Toda cidade dizendo eu te amo, e eu nessa de dormir sem você.
Te querer dessa forma esquisita, de quem fala depois bate o telefone
De quem encontra e depois pega o ônibus.

Toda cidade num sábado à noite e eu numa madrugada de quarta-feira.
Depois de tudo isso, das noites, da tua cara que vejo em todo mundo,
Do teu nome que repito incansavelmente, dos meus sonhos...
É tudo tão grande e amontoado que entalam na garganta,
não sei se você me entende, e depois a gente tá conversando e
você não me entende nem eu te entendo,
E te firo, e és ferido, e não me feres, e desligo o telefone ou pego o ônibus,
E assim é, como quem compra uma caixa de chocolate,
A gente fala e dá tchau, a gente compra o chocolate, mas ele se vai,
é preciso comprar outra caixa, e outra, e outra... e nunca assumir dependência.

E você me liga quase morto, e eu atendo quase morta,
Você sem mim, eu sem você. E falo qualquer coisa que parece áspero,
E nada dá certo, a palavra parece não encaixar, desligo o telefone,
E cadê você? Que sina miserável não compreender como-quanto te amo.
E por ser tanto e tanto e tanto e tanto, e por te ter tão pouco,
E não admitir que você seja roubado de mim por um ônibus
Te levando pra qualquer parte da cidade
E vou indo embora, e você também
E fico repetindo baixinho, quase sem abrir a boca,
Que eu te amo, te amo, e te amo,
Quase como uma oração,
Uma reza, uma fé: Eu te amo.

(Thaysa Cordeiro)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ser

sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Vamos parir teatros, praias e coisas douradas,
Vamos ser brancos no inverno e mulatos no verão.
Vamos ser passageiros e perpétuos,
Pular de estação em estação, e sê-las:
Um verão amarelo o outro azul.
Eu quero uma ecobag, e uma muda de pé-de-mato.

Vamos cair no liquidificador das ruas de dezembro,
E pedir uma limonada gazeificada ao meio dia,
Fechar a carteira para o almoço, e abrir para as cores,
O outono-inverno, a primavera-verão, Natura, Tracta, Nívea.

Vamos despoluir as nuvens, e nos purificar com nicotina,
Usar camisinha, e não lembrar o nome nem o rosto nem o sexo.

Procurar a perfeição, dar conselhos, ser modelos, exemplos,
Participar de qualquer protesto, votar no paredão,
Encher a sessão no cine, daquele filme premiado, esqueci o nome.

Enfim, quero ser, ser, ser, ser, estar, ser, ser, ser....
Eu sou.
Mas quem?
O que?

(Thaysa Cordeiro)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Me cresce

quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Entrelaça teus dedos aos meus
Me leva pela mão
Adocicando com hortelã os pelos meus.

Me ensina como equilibrar desta forma
A cabeça sob o dia, sob a noite,
Sob a falta tua
Cabeça sobre a tua.

Me rega, me ilumina, me floresce
Me enlarguece com teu brilho,
Me cresce, me cresce, me cresce, me cresce.

Depois me leva aonde o tempo deixar
Segredando teus poemas ao meu ouvido, me cria.
Me mantém absoluta sob teu céu,
Com teu puro amor me inocula
E cavando poços e janelas haverá nossa vida.

(Thaysa Cordeiro)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

terça-feira, 13 de outubro de 2009
Quero me encontrar, mas não sei onde estou
Vem comigo procurar algum lugar mais calmo
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
Tenho quase certeza que eu não sou daqui
(...)
Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre
Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente
(...)
Me deixa ver como viver é bom
Não é a vida como está, e sim as coisas como são
(...)

Preciso de oxigênio, preciso ter amigos.

(Legião Urbana)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Metade de mim é sonho, e a outra metade sono.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Load

quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Implodida por meu pulsátil vermelho,
Me lanço, garras e dentes afiados,
Atacando o não-sei-o-que,
Tudo por mais um segundo de prazer,
Que seja inútil, necessário, fútil ou revolucionário,
Quem se importa com o sentido,
Quando o tédio pede o nunca,
E as contemporâneas máquinas velhas,
Apavoram o que já não se sente,
De tudo é feito apenas um download.

(Thaysa Cordeiro)
 
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